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Kuki: Mais que um ídolo

17/04/2017 ás 12:55 - Segunda
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“Se fosse pra te abandonar, eu jamais te escolheria.” Muito mais que um ídolo, Kuki virou um símbolo do Náutico. Com esta frase, o gaúcho de Roca Sales, resumiu o seu sentimento de amor pelo clube, que fez história e tem inspirado várias gerações de torcedores. Ex-jogador desde 2009, o quarto maior artilheiro alvirrubro seguiu sua vida profissional nos Aflitos, onde, hoje, atua como auxiliar do técnico Milton Cruz. Aos 45 anos, o Baixinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos, conversou com maturidade sobre vários assuntos, como fama, projetos e a forma como passou a enxergar o mundo da bola fora das quatros linhas.

AMOR RECÍPROCO

Tudo iniciou em 2001. Apesar da desconfiança de boa parte da torcida pelo fato de a diretoria ter apostado num desconhecido do cenário nacional, o bom desempenho dentro de campo, aos poucos, foi caindo na graça das arquibancadas. A raça e o faro de gol sempre acompanharam o camisa 11. Com ( ) gols marcados e ( ) jogos disputados ( ), Kuki já faz parte da história do Náutico como o quarto maior artilheiro timbu. Nessa trajetória vitoriosa consta ainda a conquista do bicampeonato estadual - 2001-02 – quando o Náutico quebrou o jejum de 12 anos sem títulos, e a Taça de 2004. Apesar do sucesso como jogador, foi apenas quando pendurou as chuteiras que o goleador teve noção do carinho da torcida. “No momento que você está jogando, não tem a dimensão do que é ser ídolo, do quanto as pessoas lhe admiram. Eu só fiquei a par disso quando parei de jogar. Vi a valorização de toda a minha dedicação ao Náutico, já que eu abria mão de muita coisa nas minhas horas vagas pra me dedicar só ao clube. Vejo que tudo isso foi de coração. O torcedor sabe do meu amor pelo clube, independente de vitória, eu sou sempre Náutico”.

RENOVAÇÃO

Ciente da importância que tem para o Náutico, Kuki lamenta a falta de surgimento de novos ídolos nos gramados do Brasil afora. “Ser ídolo, ser a bandeira de um clube hoje é muito difícil. O jogador fica um ou dois anos e depois já sai por conta de propostas melhores. O atleta não consegue criar e manter uma identidade com a torcida”.

Outra situação que chama a atenção de Kuk é ausência de goleadores no futebol brasileiro. “Observo que a formação dentro de campo tem quer ser o 4-4-2, com o futebol jogado da forma mais simples possível, porque não achamos mais atacantes goleadores. Com essas características, o Brasil dispõe de Ricardo Oliveira, com 37 anos”.

IGUAL

Os primeiros passos de Kuki como profissional foram dados um pouco tarde. Aos 22 anos de idade, a chance de ganhar a vida fazendo gols surgiu no Esporte Clube Encantado, em 1993. De acordo com Baixinho, apesar de todos os esquemas táticos que apareceram nos últimos 30 anos, a maneira de jogar futebol praticamente não mudou. “As condições que os atletas têm para se preparar hoje melhorou muito, mas o futebol em si não mudou. O jeito de executar as ações, as tomadas de decisões e a visão de jogo, nada disso mudou e jamais mudará”.


CAPITALISMO

Para o eterno xodó da galera alvirrubra, o grande problema do futebol atual é a supervalorização prematura de muitos jogadores, que transformou o esporte em um negócio. “Durante os anos de 1980 e 90, os jogadores chegavam já preparados da base. Na minha época, você ser chamado para treinar com o profissional já era uma vitória. Atualmente, os meninos de 16 anos “sobem” e acham que chegaram ao seu ponto máximo, quando na verdade eles nem começaram”.


IDENTIDADE

Kuki confessa que sente falta de ver em campo a essência do futebol brasileiro. Para ele, os treinadores brasileiros apenas estão copiando os profissionais estrangeiros. “O Brasil tem que voltar a jogar como o Brasil. Quando o técnico fica desempregado vai para fora do País aprender e copiar o que o Barcelona e o Real Madrid fazem e esquecem que Guardiola - técnico do Bayern de Munique e considerado o melhor do mundo - fala que se inspira na Seleção Brasileira de 82”.

GESTÃO

Para Kuki, é fundamental a reorganização do futebol brasileiro. “Temos estrutura, jogadores e técnicos. O que precisamos é nos organizar dentro e fora de campo. Tudo que é falado no vestiário, eu ouvia em 1996, quando fui treinado pelo Tite, e em 2001, com Muricy Ramalho, no Náutico. É a mesma coisa que Guardiola põe em prática.


APOSTA

A solução para os clubes está dentro de casa: “Eu sempre digo que é preciso investir pesado na base, pois ela é o futuro de receita para o clube. O crescimento passa pela base, mas é preciso a compreensão dos diretores e da torcida. Em Pernambuco tem muito jogador escondido nos bairros que podem vir a serem os grandes nomes do cenário nacional e até internacional”.



FUTURO

Kuki, por achar que não tem perfil, descarta a possibilidade de se tornar treinador. “Ser auxiliar-técnico é mais um sonho realizado. Quando voltei do futebol coreano disse que iria ficar no clube. Foi o que aconteceu. Em 2010, ingressei na base e logo depois o Roberto Fernandes (técnico na época) me pediu pra que subisse para a comissão da casa. Muita gente pergunta se eu quero ser treinador, mas eu não tenho perfil. A beira do campo é diferente”.

Dos tempos que vestia a camisa 11 aos dias atuais, Kuki revela que passou por uma grande mudança na sua rotina, no entanto, o velho hábito de ajudar a equipe continua cada vez mais forte. “Antes, eu podia fazer a diferença dentro de campo. Agora, posso ajudar do lado de fora, contribuindo com o crescimento dos jogadores, porque a gente sabe que existem atalhos para o futebol que precisam ser ensinados”.

NÁUTICO

Além de local de trabalho, o Náutico virou a segunda casa de Kuki, que faz questão de ressaltar a gratidão pelo clube. “O Náutico pra mim é tudo. Eu amo estar dentro e viver o clube. Tudo o que eu consegui no futebol foi através do meu trabalho aqui dentro do Náutico. Nada seria possível, se eu não tivesse o aparato dos treinadores e jogadores que tanto me ajudaram”.
Mais do que um ídolo ou funcionário do Timbu, o Baixinho se vê como torcedor e sócio do Náutico. Acostumado com a realidade do futebol, ele sabe que o que interessa para a torcida é a conquista de títulos e pede que os alvirrubros nunca deixem de acreditar no time. “Eu entendo o anseio da torcida por títulos, eu também sou torcedor, mas eu peço que os alvirrubros nunca deixem de acreditar. Se fosse pra te abandonar, eu jamais te escolheria. Essa é a frase que eu vou levar pra sempre pra mim. Temos momentos de alegria e tristeza, mas o futebol é uma paixão. É o Náutico que a gente escolheu para torcer, e é com o Náutico que a gente vai até o fim”.

Raíza Araújo / Comunicação CNC

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